Não foi fácil para ela conter a avalanche de pensamentos que invadiram sua mente, ameaçando aumentar seu sofrimento! Viu-se diante de uma realidade despojada de atrativos, sem maiores expectativas de que o amanhecer pudesse lhe trazer boas novas. Com algum esforço, conseguiu disfarçar seu desalento, assumindo uma posição mais serena diante dos fatos. Tentava resignar-se pelo que não conseguia, não podia ou não devia mudar. Certamente haveria algum motivo, além do que abarcava sua pequena compreensão humana, para que tudo que havia buscado e, porque não dizer, sonhado em cada instante dos últimos 30 anos, escapasse outra vez entre seus dedos.
Diante dessa nova realidade, foi inevitável recordar os inúmeros avisos que recebera, ao longo da vida, indicando a necessidade de mudança e evolução como único caminho para alcançar o que seu coração tanto desejava. Entretanto, quando finalmente parecia ter chegado o momento tão esperado, não conseguiu evitar que a pressa e a impaciência, duas características marcantes de sua personalidade, colocassem tudo a perder outra vez. Foi assim que a sua história com final feliz terminou antes de ter começado realmente, deixando a dúvida se ela fora mesmo uma chance real.
Avaliando os fatos de forma mais ampla, compreendeu que aquele era o menor de seus problemas. O presente era, principalmente, a soma atualizada de todas as suas escolhas anteriores. Apesar de saber que nem sempre elas dependiam apenas de si mesma, perguntou-se, não sem um certo receio de saber a resposta, que atitudes suas foram sementes para as conseqüências que colhia no momento. A roda do destino nunca se movimenta em vão e nem age por iniciativa própria, obedecendo sempre aos pensamentos eleitos e praticados pelo ser durante toda sua vida. Diante dos resultados atuais, forçoso era concluir que urgia plantar e cultivar sementes mais selecionadas para ter a chance de colher melhores resultados em algum ponto de sua existência.
blog
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Debaixo do Ipê Amarelo
A primavera já chegou ao calendário! Na tarde pardacenta de mais um longo período de estiagem, só os ipês exibem em profusão suas flores amarelas - uma mancha de alegria na paisagem ressecada. Eles anunciam e antecipam o milagre que acontece a cada ano na natureza, mas que nossos olhos ainda não podem comprovar.
O coração se encanta - são realmente lindos os ipês! O tapete amarelo que se forma debaixo de sua copa de flores é um convite para o repouso do corpo e conforto para as tristezas da alma. Seu colorido nos recorda que dias melhores virão, mesmo que o ar em volta ainda esteja praticamente irrespirável. Sua visão simboliza uma esperança: o fim de um ciclo representa o começo de outro – tanto na natureza, quanto na vida humana!
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Artista de Araque
Vou dar baixa na minha carteira de ator! Cansei de representar o personagem que nunca chega a um final feliz. O mocinho de olhar sedutor sempre fica com a protagonista da história e o vilão paga por todas as suas falcatruas, recebendo a punição esperada. Claro que, vez por outra, o vilão vira herói, por pura simpatia do telespectador. Isto pode acontecer, mas é coisa rara.
Por tudo isto, vou largar a profissão e deixar de atuar. Descobri que a verdadeira novela é a vida real, com suas tramas imprevisíveis e seu elenco de quinta, que aspira à primeira categoria. Aqui os vilões raramente são punidos, quanto mais alta é a conta bancária. Quem é bom e quem é mau tem deslizes, sofre ataques de feras internas e enfrenta quem se atreve a lhe pisar nos calos.
Só tenho mesmo uma dúvida: será que nessa outra versão da história cabe pensar que, se na novela real também nunca fico com a mocinha, serei o vilão da vida?
O mar azul de Brasília!
O concreto corta o azul, demarcando a fronteira entre a natureza incomensurável criada por Deus e a cidade de asas, criada pelo homem. Cores revestem formas geométricas arrojadas que, alongadas na horizontal e na vertical, desenham o horizonte sem ocultar o céu. No coração da cidade a plataforma suspensa liga o norte com o sul, para levar e trazer pessoas de passos apressados. Carros deslizam velozes pelas pistas da esplanada, num vai e vem interminável e espalham-se pelos eixos, redesenhando seus caminhos de asfalto. No caos aparente, todas as formas se equilibram harmoniosamente nessa imaginária linha limítrofe, comprovando que nós, seres humanos, temos os pés firmados no chão, enquanto nossa mente sonha com o que está mais além. Na pressa de chegar e partir, poucos se dão conta que esta cidade é a síntese e o ponto de união entre o humano e o divino. Caminham indiferentes, acostumados à beleza, à diária poesia da luminosidade da lua e do sol que transformam em mar, o céu azul de Brasília.
A parte de minha vida que ainda está misturada na sua...
Posso dizer que eu o amei por tanto tempo, que não encontro mais uma maneira de esquecer você. Como um ritual inútil, carrego suas lembranças para lá e para cá, na tentativa de encontrar um lugar mais confortável para acomodá-las. Se uma parte de mim, ainda esperançosa, mantém-se quieta para ouvir seus passos voltando, a outra, mais realista, sabe que a chance de um reencontro entre nós passou e talvez não volte a acontecer! Você se perdeu em algum ponto da nossa história e tomou outros atalhos, que o levaram para bem longe de mim.
Hoje não quero mais saber com qual de nós ficou a razão. Meu desejo é apenas sentir seus braços envolvendo meu corpo, enquanto sua voz me convence que o pior já passou. Mas, na penumbra do quarto nada de significativo acontece. Nada modifica a monotonia de mais uma noite vazia de carinhos, cheia de saudades e povoada de sonhos ardentes que aquecem meu corpo, mas não podem acender a minha chama. Talvez precise finalmente aceitar que a parte da minha vida que ficou misturada com a sua nunca mais volte a existir.
Palavras do Coração
Palavras verdadeiras nem sempre são bonitas e palavras bonitas nem sempre são verdadeiras. Uma lógica fácil de comprovar, por vezes difícil de aceitar, mas sempre aplicável em todas as situações e relacionamentos.
Construí meu mundo com palavras, mas uma só palavra pode destruí-lo em poucos segundos. Se isto acontece, recrio tudo novamente, não importando se a palavra seguinte poderá desmoroná-lo outra vez e partir meu coração em mais de mil pedaços.
Por isso, para prolongar um pouco mais a existência de minhas palavras, da dor faço arte, mesmo que elas sejam pequenas e medíocres. Ou sejam apenas minhas e não se parecem com as de mais ninguém. Descobri que a dor e a arte ficam diferentes em cada coração!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A outra versão da história
Nenhuma história, ao ser relatada, revela uma verdade absoluta. Sempre existe outra versão, positiva ou negativa, dependendo da simpatia ou antipatia que os personagens despertam naqueles que a relatam. Vítima e algoz, herói e vilão não são eleitos por unanimidade e trocam constantemente de papéis, dependendo de que lado está o narrador e com a mesma rapidez que a história se espalha. Nenhuma versão é definitiva e quem acredita que seja assim pode querer assumir o posto de dono da verdade. Exatamente nesse ponto começam os desentendimentos humanos! Essa vaidade mal-disfarçada em sabedoria, em fidelidade aos fatos, pode destruir lares, amizades, amores, países e até o nosso próprio planeta!
Caminho sem fim...

Tudo voltou a ser como era antes, exceto pelo fato de que agora aceito a realidade. Foi uma dolorosa jornada e cada passo dado contribuiu para chegar a este resultado. Ao longo do caminho pude colher frutos de valor inestimável: experiência, maturidade, paz, alegria. Respeito por mim mesma e, na mesma proporção, respeito pelo semelhante. Compreensão das leis que regem todo o criado e confiança no amor incondicional de Deus.
Ao tempo que avanço neste sentido, também vou perdendo outras cargas bem menos valiosas: o temor, a covardia, as ilusões infundadas, a dependência psicológica e espiritual de pessoas e coisas, o apego antinatural pelo que me rodeia no plano físico. Como saldo desse processo fica a certeza de que todo acontecido cumpre um objetivo para a vida.
Posso dizer que me sinto mais leve e que uma alegria mansa toma conta de meu ser toda vez que aceito que nem todos os planos, sonhos e amores são possíveis. Mesmo que algumas vezes ainda fique um pouco triste diante de tantos desencantos e que a dor teime invadir meu peito sem avisar. Para evitar tais consequencias, estou aprendendo a manter minhas aspirações dentro do limite realizável. Afinal,
Nem tudo que eu quis, aconteceu.
Nem tudo que aconteceu me fez feliz.
Mesmo assim é preciso seguir.
Se hoje é difícil, amanhã será melhor.
É um longo aprendizado mas, para que ter pressa, se este caminho não tem fim?
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
O lado bom das coisas ruins
Com todo o sofrimento que sentia no momento, ainda assim, não podia negar que fora feliz! O término de um relacionamento não significa, necessariamente, ausência de felicidade! Sobretudo se colocou mais brilho no olhar, um sorriso nos lábios e deixou no corpo a vontade incontida de se realizar. Nesses casos cabe aplicar a máxima: foi bom enquanto durou!
Mesmo que agora o sol forte da realidade mostre os fatos por um ângulo menos romântico e mais objetivo e fique evidente que apenas seus sonhos mantiveram suas esperanças intocáveis até ali. Ainda que a imagem guardada dentro dela, durante tantos anos e com tanto carinho, pouco a pouco vá ficando menos nítida, permanece a certeza que as sensações experimentadas serão sempre indeléveis! Talvez a saída seja desassociá-las do ser que as promoveu. Pode ser que assim elas não machuquem tanto o seu coração e se tornem sempre bem-vindas!
Mesmo que agora o sol forte da realidade mostre os fatos por um ângulo menos romântico e mais objetivo e fique evidente que apenas seus sonhos mantiveram suas esperanças intocáveis até ali. Ainda que a imagem guardada dentro dela, durante tantos anos e com tanto carinho, pouco a pouco vá ficando menos nítida, permanece a certeza que as sensações experimentadas serão sempre indeléveis! Talvez a saída seja desassociá-las do ser que as promoveu. Pode ser que assim elas não machuquem tanto o seu coração e se tornem sempre bem-vindas!
Armadilha de cetim
Dobrei com cuidado meus sonhos
Guardei numa caixa forrada de cetim
Juntei alguns pedaços de esperança
Embrulhei com as melhores lembranças
Parei na porta do tempo para entregar a você.
Dia e noite lá fiquei...
Veio a chuva, depois o sol,
Correu o tempo das horas
Passou o tempo da vida.
Você não veio o meu regalo receber.
Depois de muito esperar,
tentei voltar sobre meus passos,
Desfazer-me de antigos sonhos
Guardar pedaços de esperança
Esquecer nossas lembranças,
sem conseguir!
Surpresa, finalmente percebi:
Caí na armadilha
de uma caixa forrada de cetim.
Assinar:
Postagens (Atom)




