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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Algo Maior Que Eu



Quando era mocinha, costumava passar férias na fazenda do meu cunhado, lá no interior de Minas. Nas noites sem lua, com poucas opções de diversão, gostava de me deitar sobre a grama para olhar o céu. Na escuridão de luzes que me rodeava, a terra e a imensidão do firmamento se uniam, e eu me via rodeada por todos os lados de pontinhos de luz. Brincava de contar estrelas e as mais distantes, pareciam brincar de esconde-esconde com meus olhos. Quando fixava o olhar em uma delas, parecia sumir. Mas quando desviava os olhos para buscá-la, mostrava-se justo ali, onde a vira anteriormente.
Sempre experimentava uma sensação maravilhosa, enquanto o silêncio da noite me acolhia em seu seio. Minha mente divagava entre muitas percepções e costumava pensar, curiosa diante do mistério celestial, se em algum planeta distante haveria alguém a olhar o mesmo céu. Que anseios teria ou que sonhos acalentaria diante dessa mágica visão.
Hoje, conto histórias, como quem conta estrelas no céu. Conto devagar, para ter certeza que minha mente não se engana ou que meus olhos não se perdem em miragens. Preciso ter cautela com o que vejo, penso e digo que é real. Porque quanto mais aprendo, mais certeza tenho de que quase nada sei. Ainda experimento as mesmas inquietações de outrora diante do que não entendo, a mesma alegria infantil diante da beleza deslumbrante dessa magnífica criação. Os mistérios continuam, agora ampliados. O que permanece  exatamente como antes é que, para muitas perguntas, eu ainda não tenho as respostas.

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