Quando era mocinha, costumava passar férias
na fazenda do meu cunhado, lá no interior de Minas. Nas noites sem
lua, com poucas opções de diversão, gostava de me deitar sobre a grama para
olhar o céu. Na escuridão de luzes que me rodeava, a terra e a imensidão do
firmamento se uniam, e eu me via rodeada por todos os lados de pontinhos de
luz. Brincava de contar estrelas e as mais distantes, pareciam brincar de
esconde-esconde com meus olhos. Quando fixava o olhar em uma delas, parecia
sumir. Mas quando desviava os olhos para buscá-la, mostrava-se justo ali, onde
a vira anteriormente.
Sempre experimentava uma sensação
maravilhosa, enquanto o silêncio da noite me acolhia em seu seio. Minha mente
divagava entre muitas percepções e costumava pensar, curiosa diante do mistério
celestial, se em algum planeta distante haveria alguém a olhar o mesmo céu. Que
anseios teria ou que sonhos acalentaria diante dessa mágica visão.
Hoje, conto histórias, como quem conta
estrelas no céu. Conto devagar, para ter certeza que minha mente não se engana
ou que meus olhos não se perdem em miragens. Preciso ter cautela com o que
vejo, penso e digo que é real. Porque quanto mais aprendo, mais certeza tenho de
que quase nada sei. Ainda experimento as mesmas inquietações de outrora diante
do que não entendo, a mesma alegria infantil diante da beleza deslumbrante dessa
magnífica criação. Os mistérios continuam, agora ampliados. O que
permanece exatamente como antes é que,
para muitas perguntas, eu ainda não tenho as respostas.

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