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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Apenas Flor...



 
 
A magia da renovação acontece ao meu redor! Os dias claros e quentes antecipam a nova estação. A aproximação da primavera traz com ela esperanças novas, anunciadas pelo compasso harmonioso e lento do desabrochar das flores.  A vida humana se entrelaça com a vida da natureza e coisas estranhas começam a acontecer dentro de mim. Personagens se misturam e já não sei se sou apenas mulher ou se tenho algo de flor - no nome, no florescer de sentimentos que foram guardados por longo tempo. Mesmo sem poder afirmar que sou a flor preferida, minha certeza é que na primavera todas florescem...
Através da janela aprecio a linda manhã ensolarada! Destacando-se contra o azul do céu, por toda parte os ipês colorem a vida e alegram os olhos! Diante de tanta beleza, assim como eles quando florescem, quero ser só flor!

Para a primavera que acontece em mim...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Testemunhas da Felicidade...







Ninguém vive os acontecimentos da vida de forma igual. Existe aquele que se coloca cautelosamente ou de maneira indiferente, diante da dor ou da alegria alheia. Como mero observador, não defende ideias, não desempata dúvidas, não vibra com as vitórias. Mantém-se frio e indiferente diante da vida que acontece ao seu redor.
Em contrapartida, outro se coloca como co-participante de cada evento, por mais simples e despretensioso que pareça ser. De pequenos gestos aos grandes feitos, todos merecem o selo de sua atenção. Muito mais que simples testemunha da felicidade, quer vivenciá-la em seu dia a dia e compartilhá-la com aqueles que o cercam. Ele a realimenta, diariamente, com a gratidão natural dos que sabem valorizar o dom sagrado da vida. É espontâneo, empolgado e vive cada instante como se fosse o último ou o mais importante para ele. 
Acredito que as duas modalidades coexistem em cada um e se manifestam, ora uma, ora outra - conscientemente ou inconscientemente, sob a permissão dos pensamentos que estão abrigados na mente. A cada nascer do sol, posso decidir quais ações quero praticar, para mudar a história do meu próprio destino.

A Volta do Poeta...



 
 
O poeta ficou cansado de colher sua poesia pelos caminhos do mundo e decidiu se esconder nos últimos tempos. Manteve-se quietamente acomodado no fundo de sua alma, agasalhado de suas lembranças, sem palavras para descrever o que se agitava dentro dele. Sua bailarina  havia partido, quem sabe em busca de um coração mais acolhedor. Suas angústias a haviam deixado perdida, enquanto a alegria dela era uma afronta para sua dor de viver.
Entretanto, ela permanece dentro dele, como uma esperança a se realizar. Sua lembrança é um pequeno raio de sol, morno e confortador, que aquece seu corpo e ameniza a rigidez de seus pensamentos. Envolve seu coração como uma música suave e arranca suspiros profundos de sua alma, comprovando que ainda conserva sua capacidade de amar.
Ele tem diante de si uma porta, que pode abrir e voltar para a vida. É só seu o poder de concretizar o impulso para rodar a maçaneta. Precisa apenas vencer o que o impede de transpor os limites de sua dor e aceitar o que não pode mudar. 


Dedicado a todos os poetas da vida...
 

De Volta ao Passado...




Uma situação vivida me fez pensar que temos na mente sensores fantásticos, que são acionados de forma inesperada, ou quase mágica, diante de certas circunstâncias. Pode ser através de uma música, um perfume, fotografias do passado, palavras e frases que foram empregadas em situações semelhantes. A mente, ao captar essas energias sutis, inesperadamente me transporta a outra época, lugar, situações já vividas, sem que tenha controle imediato sobre o processo. Ela atrai para o presente, cenas específicas e fatos concretos que irão dar forma à emoção. Ou apenas chama pelo nome a saudade que está adormecida dentro de mim.
Por vezes a energia captada é tão intensa, que faz com que recorde o momento exato, o fato concreto – o beijo, o olhar, a dança, o abraço, o sentimento - ou suas causas e consequências.
Oscilo entre o presente e o passado; entre a realidade, o sonho e a ficção. Neste instante mágico, quem fui dá vida a quem sou hoje, através da recordação.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Velhos Heróis




Ultimamente, tenho procurado evitar os noticiários televisivos. Eles pouco ou nada esclarecem sobre o que realmente acontece nos bastidores da política nacional, enquanto disseminam o medo e a revolta diante de causas e consequências que não temos o poder de mudar. Isto fere profundamente minha inteligência e vai contra meus direitos de cidadã. Por outro lado, tenho o direito de avaliar os fatos observáveis e refletir sobre o atual panorama político/social de nosso país. De longe sabemos o real objetivo para tantas ajudas, tanto apoio para manter a carência dos menos favorecidos. Esta pseudo bondade, na realidade camufla a vontade de enfraquecer as convicções de alguns sobre a própria capacidade para fazer frente aos desafios da vida. Alimenta a dependência para garantir sua fidelidade, presos na teia de seus interesses escusos.
Existem pessoas que ainda acreditam que os programas sociais abrem oportunidades aos menos favorecidos. Que sem eles não teriam como fazer frente às despesas básicas da educação, para conquistar sua futura liberdade. Apenas desconsideram a propensão humana ao comodismo, frente às contínuas facilidades. Ou fazem vista grossa para os desvios oportunistas dessa mesma verba, para atender outros interesses e despesas não essenciais. Hoje o trabalho, que sempre dignificou o homem, tornou-se desnecessário para os mesmos que recebem migalhas do governo. 
Através da tela da reflexão, repassei as mudanças sócio-econômicas que ocorreram nos últimos cinquenta anos no país. Recordei famílias numerosas que venciam suas dificuldades sem as atuais “bolsas e afins”, apesar do orçamento familiar apertado. Nossos velhos heróis valiam-se da criatividade e encaravam sacrifícios inevitáveis para fazer frente a elas. Sempre encontravam uma saída para contorná-las sem transformar a própria dignidade em moeda de barganha. As soluções, apesar de não serem as mais fáceis, eram sempre inteligentes. Não havia desperdício, nem vaidades supérfluas. Os pais ensinavam os filhos a valorizar o que podiam oferecer, mas, especialmente, ensinavam como resolver as dificuldades e assumir as próprias responsabilidades, sem a necessidade de repassar a conta para quem não a criou. Ensinavam que nada se conquista sem esforço na vida, que os desafios são etapas a serem vencidas e não obstáculos que se antepõem ao sucesso. A única bolsa realmente cobiçada era o prêmio pelo estudo dedicado, sem cotas ou distinções que não fossem as conquistadas pelo mérito pessoal.
Concluo que a mais digna ajuda que um país pode dar aos seus cidadãos é a garantia de estudo de qualidade e gratuito para todos; o direito de ter a saúde cuidada, a cidade limpa, meios de transporte adequados e seguros, estradas que não ofereçam riscos à vida, oportunidades de trabalho para todos arcarem com o próprio sustento. Parece mais fácil deixar como está. Só o tempo irá revelar as conseqüências dolorosas que resultarão dessas migalhas.

Mapa do Tesouro





Caminho mais devagar, enquanto olho com mais atenção para o que me cerca. Já não vejo mais sentido em correr tanto porque a pressa não me levará para um lugar melhor e nem mais bonito do que este que estou no presente. O que antes era considerado como fundamental se torna supérfluo. O que era prescindível se torna fundamental para alimentar as minhas pequenas porções de felicidade. As exigências diminuem, enquanto a tolerância aumenta, abrindo caminho para estar bem comigo mesma e com o mundo. O que preciso hoje é bem diferente do que valorizei um dia. Basta receber um sorriso verdadeiro, um abraço que realmente acolha, um beijo que demonstre carinho, uma palavra amiga – dita ou ouvida com atenção. Tudo se transforma ao meu redor e dentro de mim. Nem beleza, nem dinheiro são sinais significativos para chegar ao amor, porque ele tem outra origem e um valor inversamente proporcional ao que antes considerava como necessário. O verdadeiro tesouro é ser feliz! É compreender que o amor muda de forma e de imagem, porém, mais do que antes, é gratificante e faz agradecer ao universo sua existência em meu coração e em minha vida.

Última Verdade




A realidade, disfarçada de historinha infantil, fez-me mergulhar nas águas de minhas lembranças... Seguramente estabilizada no presente, percebo que muitas vezes o passar do tempo distancia-me de fatos relevantes que serviram de base para o ser que me tornei. Os acontecimentos apenas vão se sobrepondo em uma pilha interminável. Ficam aparentes os momentos mais recentes – algumas consequências de ontem e prováveis causas de amanhã. Estas pequenas frações de vida, somadas, justificam os momentos atuais. As escolhas assumidas determinaram quem ficou ou saiu da minha vida ou porque as coisas aconteceram de uma e não de outra maneira. O único fato inquestionável é que, para avaliar os resultados de hoje, preciso considerar todo o ocorrido durante o trajeto.
Ao assumir a responsabilidade pelo que tenho e sou hoje, constato que não fiz tudo que quis e que não sou tudo que sonhei. Nem tudo que aconteceu me fez feliz e nem tudo que me fez feliz eu planejei conscientemente. Se quero mudar o rumo dos acontecimentos, preciso antes mudar a mim mesma. Minha última verdade é que eu me construo um pouco a cada dia e acrescento etapas novas às edificações anteriores. Mesmo assim, provavelmente partirei sem ter completado a minha construção.




Evidências...





É quase impossível manter-se indiferente diante dos últimos acontecimentos. Apesar da sensação de impotência que deixa a todos acuados, um clamor íntimo, misto de vergonha e revolta, ecoa entre as paredes da sensibilidade e responsabilidade pessoal do cidadão comum. Enquanto tudo é possível e permitido para uma minoria, a grande massa luta para pagar a própria sobrevivência e a do alheio, mesmo que este alheio seja o seu próprio executor. Dois pesos, duas medidas. O privilégio de uns poucos interfere e vai contra todos os Direitos Humanos (?) dos demais.
Para aumentar a nossa insegurança, a impunidade agora se estende à marginalidade. Continuam a matar, com ou sem motivo algum, pois a passagem pela cadeia é transitória. A menoridade os protege de tudo – da lei ou da reação dos parentes de quem mataram a sangue frio e até da lei. A segurança pública está um caos, na cidade que antes oferecia a melhor qualidade de vida do país. Moradores responsáveis são assassinados sem que se comprove a iniciativa de protegê-los, por parte das instituições que existem para isto. As reações são seletivas e quando acontecem, são dirigidas para casos de interesse pessoal das corporações.
Diante das últimas evidências, pergunto-me: para que lado caminha a humanidade?
 

A Conta é Sua!




 
Pouco importa se você não gastou. De qualquer forma, vai pagar a conta. Injusto? Certamente. Na vida pessoal, no máximo pagamos a conta de um filho, eventualmente de um irmão ou um amigo. Para pai e mãe pagamos sempre que for necessário. Afinal, todas estas pessoas apostam para ver e fazer você mais feliz.
No caso atual, você não viu a mercadoria e nem aprovou a compra. Não tem qualquer vínculo com quem pediu, não vê nenhuma utilidade no que foi comprometido ou construído. Nada do que está ai vai melhorar sua ou a vida de todos que vivem neste país. Ela só serviu para enriquecer a muitos. Uma parte fica com aqueles que seu salário paga, mas que não estão nem aí para o valor astronômico da conta que não irão pagar. A outra parte vai para os que nem aqui moram. Não fazem nada e recebem adiantado, para evitar prováveis calotes. O rombo que fica para trás não é problema deles. Os bobos da corte que se virem.
A sensação que fica é a mesma de chegar a um restaurante e, compulsoriamente, ser-lhe apresentada uma conta astronômica, sem que possa pedir ou comer prato algum.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Com todo meu amor...




Mãe, ontem seria comemorado mais um aniversário seu, mas foi apenas outra data que passei sem você! Caminho no tempo e colho as tristezas e alegrias compartilhadas ao longo de nossa vida em comum e, inevitavelmente, sua saudade volta a doer. Só a certeza de seu amor, que permeia todos os instantes, preenche o vazio de sua ausência. Tudo se mantém quase igual ao que era antes.
Já se vão quase 27 anos desde que você partiu, mas seu exemplo continua presente na vida de seus filhos, netos e amigos que tiveram o privilégio de sua convivência. Com pequenas atitudes você conseguia realizar grandes resultados. Suas decisões eram sempre firmes, para proteger ou vencer aos desafios de educar seus oito filhos, desdobrando-se em seus diferentes papeis: mãe, esposa e companheira; de filha e irmã. Sobretudo, de uma grande amiga de todos nós.
Entre tantas manifestações de seu amor, lembrei-me hoje de um caderno que você escreveu para mim, quando a vida e o casamento levaram-me para as terras distantes do planalto. Registrou carinhosamente em suas páginas pequenas dicas para o meu dia a dia de dona de casa inexperiente: o que fazer ou não fazer, a melhor maneira de fazer, de cuidar, de organizar. Receitas simples e fáceis para surpreender agradavelmente o amor que me levou para longe de você. Até cheguei a pensar, do alto de minha (in)suficiência juvenil, que tudo aquilo era um pouco de exagero de sua parte:
 "– Duvidaria de minha capacidade?" cheguei a perguntar. 
Só depois compreendi que apenas procurava preencher a distância física que eu estaria de seus cuidados, de seus conselhos e de seu amor de mãe. Hoje este caderno já passou para uma de minhas filhas para, quem sabe, um dia fazer por ela o mesmo bem que fez para mim.
Ainda que muito carinhosa, sei que não fui uma filha perfeita. Não segui todos os seus conselhos, nem recebi seus cuidados sem reclamar. Depois a vida se encarregou de mostrar e ensinar que você teve razão em todas as suas advertências, pois na juventude não sabemos identificar todos os perigos da vida, disfarçados de oportunidades. Apenas afirmo que em nenhum momento duvidei de seu amor, até mesmo quando ainda não estava preparada para valorizá-lo.
Se hoje eu devo ao meu próprio esforço a vitória sobre as lutas diárias, sei também que devo ao seu amor, seus cuidados e seus ensinamentos a força de permanecer na trilha certa, sem desfalecer.


"In memoriam" deste ser especial que tive o privilégio de chamar de "mãe"!