O tempo completou mais um ciclo e de novo eu me
vejo diante da mesma data. A mesma saudade já conhecida volta a se espalhar
pelos vãos do meu coração, confirmando que as ausências se fazem presentes
através dos sentimentos. Recordar sua presença calma, amiga e silenciosa, capaz
de sustentar a fortaleza de minha mãe e de seus filhos, desperta em mim uma
imensa gratidão. Ela era mais falante, enquanto você se mantinha cuidadoso com
as palavras. Cada um contribuía, à sua maneira, para a realização do objetivo comum
de criar os oito filhos, de forma a fazer deles pessoas de bem.
Mesmo que hoje a verdade seja clara para mim, na
minha ignorância de menina adolescente, muitas vezes interpretei seu silêncio de
palavras como distanciamento afetivo. Minha mãe representava a ponte que me
ligava a você - para as permissões e as proibições de meus pequenos desejos. Ela
era a sua voz, mesclada com as cobranças e os carinhos de mãe.
Mas, num certo ponto da vida, que não sei
determinar exatamente quando, sua figura começou a ganhar espaço e se tornar mais
nítida no meu coração, à medida que o tempo passava e as experiências da vida
me colocavam frente a frente com seu carinho e sua proteção. Esta foi, muito provavelmente,
uma descoberta mútua, porque também deixei de ser apenas a filha mais nova, sempre
agarrada à barra da saia de minha mãe, para me tornar parte integrante e atuante
também na sua vida.
Você me surpreendia a cada nova experiência, mostrando-me
um lado da vida que eu desconhecia até então. Com o tempo aprendi que você tinha
uma maneira diferente de dizer “eu estou aqui”, ou, “pode contar comigo e com o
meu amor”, ou ainda, “eu cuido de você, sempre que for necessário”. Com sua voz
calma e pausada, ou mesmo sem palavras expressadas, manifestava sua bondade
através de pequenas atenções e oferecia seu amor sem reservas ou cobranças
embutidas. Seus conselhos eram objetivos e certeiros, para cada novo desafio imposto
a nós pelas circunstâncias. Foi convivendo com você que eu aos poucos compreendi que para uma
mulher ser forte ela deve contar, além de seus próprios méritos, com um homem especial
que a ajude, a ampare e a permita ser assim...
Um comentário:
Bonita homenagem, Iris.
Belíssima, eu diria...
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